MEUS FILHOS VÃO SE ADAPTAR AO CANADÁ E FALAR O IDIOMA?

Estudantes recebendo o diploma do Grade 8

Lembro-me de minha cunhada me dizendo: se você quer sair de São Paulo, saia enquanto as crianças são pequenas. Na época, nem sonhava com Canadá. Acho que ela tinha muita razão. Mudança é sempre mudança. Como disse, quanto mais novo, melhor. A mesma coisa é válida para nossos filhos. Quanto mais novos, mais fácil, mais adaptáveis.

Minha maior consciência da escolha que fiz, atualmente, passa exatamente por esta questão: o Canadá é para os descendentes. Todas as dificuldades que vivemos como imigrantes passa pela escolha de um FUTURO para os descendentes. Mas é importante lembrar: o FUTURO, se você tem mais de 35 anos, é mesmo mais certo para seus filhos. A segurança que buscamos, é preciso ter mesmo coragem para encarar isso, está em suas escolhas para seus filhos.

MEUS FILHOS JÁ SÃO ADOLESCENTES

Posso dizer que o velho lugar-comum de “cada caso é um caso” caiba nesta questão. Se seus filhos são adolescentes entra verdadeiramente o “depende de cada caso”. Alguns adolescentes passam por uma adolescência mais fácil, outros, mais difícil. Então podemos dizer que cada um vai se adaptar mais ou, talvez, menos, mais rápido ou mais lentamente. Tinha namorada no Brasil? Mais difícil querer deixá-la. Estava solteiro no Brasil? Mais fácil. Falava inglês desde o Brasil? Mais fácil. Mas todos os adolescentes sentirão, sim, a mudança e suas dificuldades em maior ou menor grau, mas muito menos do que você, pois nada como ser jovem… “Levanta, sacode a poeira e dá volta por cima” muito mais rápido.

Já os pequerruchos e as crianças com idade escolar do ensino fundamental, ou seja, até mais ou menos 13 anos, vão aprender rapidamente o idioma e te deixar boquiaberto com vocabulário e pronúncias avançadas. Crianças pequenas correm mesmo o risco é de perder o idioma materno.

Dos 14 anos em diante, a questão crucial é a mudança para o ensino médio, que pode dificultar um pouco o processo, mas nem tanto. A partir dos 18 anos, o aprendizado do idioma passa a ser comprovadamente mais lento, não tanto quanto uma pessoa com mais de 30, logicamente, mas a chance de não ter sotaque, ainda que mínimo, praticamente se perdeu.

A resposta mais sábia para a pergunta “meus filhos vão se acostumar?” eu ouvi de um brasileiro que mora aqui há mais de 30 anos, ou seja, já viu de tudo e entende bem de Canadá: “o que o governo canadense quer mesmo são os seus filhos”.

Gisele RegoÉ tradutora, membro da associação de tradutores de New Brunswick, CTINB (Corporation des traducteurs, traductrices, terminologues et interprètes du Nouveau-Brunswick, Canadá) e revisora com mais de 20 anos de experiência nas áreas de localização de software, tradução jurídica, revisão editorial e acadêmica e normas ABNT. Foi corretora do Enem e Fuvest por mais de 15 anos. Revisora da publicação “Justice Yearbook Who’s Who of Brazilian High Courts” (Anuário da Justiça brasileira) e do estudo para o Ministério da Justiça, “Homicídios de Crianças e Adolescentes no Brasil” do Centro de Estudos da Violência da NEV / USP. Atualmente, mora em Toronto, Canadá .

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