VOU FAZER UMA VIAGEM EXPLORATÓRIA PARA SABER COMO SERÁ A VIDA NO CANADÁ…

Nuit Blanche (virada cultural) - City Hall - Toronto - Photo: Gisele Rego
Nuit Blanche (virada cultural) – City Hall – Toronto – Photo: Gisele Rego

 

Devo visitar a cidade ou país para os quais desejo imigrar? Conseguirei tomar uma decisão por conhecer o lugar? Bem, não é exatamente simples assim.  É fato que é possível criar mais coragem ou desistir de vez da ideia ao visitarmos o lugar para o qual pretendemos imigrar. No caso específico de Canadá, é bem verdade que conheci pessoas que desistiram antes mesmo de começar qualquer processo de estudo ou trabalho apenas porque vivenciaram alguns dias de inverno canadense.

 

Entretanto, uma vida de turista e encantamento, ou até mesmo desencantamento, não tem nada a ver com a vida do dia a dia pós-imigração. Quando viajamos para as praias do Nordeste do Brasil, por exemplo, mesmo o mundo inteiro e as estatísticas falando da falta de segurança, não nos sentiremos assim tão inseguros quando estivermos nas praias, ao sol, no mar, piscina e bebendo caipirinha. A não ser que demos o azar de ser assaltados, é claro. Turistar não dá a dimensão do que é viver naquelas terras, na luta do dia a dia, trabalhando, com medo de virar a esquina na volta do trabalho, pegando ônibus às 6 da tarde, pagando as contas de água e luz e aluguel. Procurando trabalho. O mesmo vale para o Canadá ou qualquer outro país.

 

COMO AS PESSOAS SÃO EDUCADAS!

 

Apaixonar-se pelo Canadá é fácil enquanto turista. O Canadá faz isso com a maioria das pessoas, principalmente no verão. Causa um encantamento, um deslumbre. “Ah! Pessoas educadas… Ah… lugares limpos! Ah… transporte público funcionando. Ah…Liberdade de pensamento, com respeito, NA BASE DA LEI –  diga-se de passagem – às diferenças. Nas cidades maiores do Canadá posso aparentar o que eu quiser? Posso me vestir de qualquer maneira hoje ou estar mais desleixado e não vão reparar? Em geral, não vão me encarar porque estou mais extravagante ou tentar me assediar no metrô? Sou trans e ninguém vai ficar me medindo dos pés à cabeça? Que show!”

 

Isso é válido para a maior parte das cidades grandes dos países desenvolvidos. No caso do Canadá, há ainda um charme especial mais do que em outros lugares, mais “sorry” (desculpe; com licença) do que em outros lugares. Porém, alguns meses como turista ou como estudante só vão te dar uma vaga noção do que é imigração. Infelizmente é vaga, ainda que seja nos meses de inverno.

 

Stalacties on the roof - Toronto winter - Photo: Gisele Rego
Stalacties on the roof – Toronto winter – Photo: Gisele Rego

 

Ser imigrante é uma condição. Mais dinheiro, mais fácil, quanto menos, pior. Mais idioma ou menos idioma, o mesmo. Quando você passa a ser imigrante, com ou sem dinheiro – e não estou falando de preconceito, nada disso, que existe, é bem verdade – passa a ter uma realidade modificada, completamente oposta. Água para o vinho, ou vinho para água, 360 graus, cabeça para baixo, de cima para baixo. Debaixo para cima, Faixa de Gaza. Sua vida é outra.

 

Levando tudo isso em consideração, só você poderá decidir se deve ou não investir em uma viagem exploratória. Só você deve decidir se vale a pena ir no inverno mesmo ou deixar para o verão ou primavera, quando tudo são flores. Talvez você consiga mapear o que possa ser sua vida em alguns poucos dias de visita ao país. Talvez você se deslumbre mais ou entre na turma do “nem tanto”. Mas não existe bola de cristal quando a questão é imigração.

 

Manter-se deslumbrado com o país para o qual imigramos: eis o grande exercício diário do imigrante. Seja no Canadá seja em qualquer lugar do mundo.

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